Filmes - Paranormal Activity

Não me considero um grande crítico de cinema, pois sou bastante bipolar. Tenho dias. Por vezes tenho a sensação de que se tivesse visto determinado filme noutro contexto, em qualquer outro dia, a minha apreciação seria outra.



Resolvi ontem ir ao cinema ver o Paranormal Activity - Actividade Paranormal (PA).





Um filme feito em casa do próprio realizador, com um orçamento de cerca de 15 mil dólares, conseguiu bater o recorde de Blair Witch Project (BWP) como o filme com maior lucro na primeira semana de lançamento, ao ultrapassar a barreira dos nove milhões de dólares. Impressionante.


PA pretende transmitir a história de uma jovem, Katie, que sente que vive assombrada por algo desde muito cedo, tendo já testemunhado alguns fenómenos estranhos durante a sua vida. Quando conta isto ao namorado, Micah, resolvem juntos procurar obter provas de tais fenómenos. Como tal, vão para uma casa nova e levam equipamento de gravação de imagem e som. O filme começa no primeiro dia que passam na casa.


O realizador pretendeu explorar todas aquelas pequenas coisas que não encaixam na nossa percepção da realidade, como portas a ranger e a bater, ruídos secos durante a noite, etc. Mas fê-lo de uma maneira simples e brilhante. No filme, a câmara que os personagens têm para gravar está todas as noites na mesma posição, em cima do tripé, filmando sempre o mesmo plano, de maneira a captar a atenção do espectador para o mínimo detalhe que fuja à realidade. Por outro lado, quando os jovens acordam a meio da noite por determinada razão, Micah agarra na câmara, e enquanto se movimenta com ela aos ombros transporta-nos para uma realidade na primeira pessoa, que nos faz perder o controlo da cena enquanto espectadores, tal como em BWP e REC:, o que aumenta a ansiedade e maximiza o suspense. Muito simples mas muito eficaz, ao mesmo tempo.


Eficaz também o facto de nunca vermos nenhum monstro, apenas ouvimos ruídos, sombras, o que mantém tudo muito mais próximo da realidade do que se víssemos um monstro, de repente, o que causaria um forte impacto inicial, talvez demasiado forte, o que permitiria numa posterior sensação(pelo menos permitir-me-ia a mim) recuperar rapidamente a percepção de estarmos a assistir a um filme e não a viver o filme, provocando a estrangulação da magia do cinema. É uma opinião pessoal.


Tal como em REC:, o final não me empolga especialmente. Não tem argumento. Os actores são amadores e um bocado fracos. Mas no geral, um trabalho positivo de Oren Peli, o realizador e responsável por todo o filme. Deixou-me com curiosidade de ver o seu próximo trabalho, Area 51, a estrear em 2010.


Uma nota final negativa para a data do filme, 2007, que só agora chega aos nossos cinemas.

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