Arctic Monkeys, ou A quebra de um Céptico

Os Arctic Monkeys são uma banda indie de Rock, que se lançou para a ribalta ao aproveitar ao máximo as potencialidades das comunidades online, como o myspace, por exemplo, pelo qual foi lançado um vídeo de I Bet You Look Good on the Dancefloor. Consta que tudo isto foi criado por terceiros, e a banda nada teve a ver com estas desenfreadas incursões na internet. Pois bem, o que é certo é que se tornaram um sucesso planetário e, juntamente com bandas como Franz Ferdinand e Kaiser Chiefs, por exemplo, ajudaram a revitalizar o rock (e, consequentemente, a música) proveniente da ilha de Queen Elizabeth II.

Acontece que nunca me entusiasmaram alucinantemente. Confesso que não sou adepto de políticas de rebanho, como tal, não me deixo convencer facilmente. No Reino Unido, as bandas que lá fazem sucesso tendem a registar um grau de sobrevalorização que sofre imediatamente da minha parte grande descrédito. Onde se falou em revolução da música, etc, eu falo em aproveitamento do registo punk dos anos 70, juntar umas pitadas de séc.XXI e procurar aproveitar o que de bom já foi feito nesse tipo de registo (Recordo os nada britânicos The Strokes). Mas enfim, respeito-os e atribuo-lhes grande mérito pelo que têm feito. Mas nunca me considerei fã.

E num instante tudo muda. De repente, para este álbum, os nossos amigos contam com a participação enquanto produtor e conselheiro de Josh Homme, dos Queens of the Stone Age e, mais recentemente, integrante do aliciante projecto Them Crooked Vultures. Ora Josh Homme é um dos grandes vultos da música contemporânea para mim. Consegui logo, após ter lido a notícia, tentar projectar o estilo do álbum Humbug (2009).Nunca antecipava nada como o projecto final.

Pois é, os Arctic Monkeys, que atrás de si arrastavam multidões de jovens (sim, em Portugal é a banda da moda dos pós-púberes) resolvem mudar para um registo bem mais arriscado na minha opinião, logo mais meritório. O cunho de Homme é patente na aura negra de Humbug.
Confesso que apesar deste discurso não me agrada de todo ser do contra. Mas apesar de o pessoal referir a (pseudo)perda de "pica" da banda, eu digo que ganharam em ambiência musical. Desde já deixo aqui claro que não sou fã incondicional do álbum, aliás acho-o simples e com algumas fragilidades. Mas ainda assim bem mais cuidado que os restantes, sem possibilidade de comparação, o que me dá uma certa curiosidade neste recente processo de maturação da banda. Veremos os próximos projectos de Alex Turner e companhia.

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